Não era um ponto e sim uma vírgula, 1

Não era um ponto e sim uma vírgula,

Em P40 por perdidoaos401 Comentário

Quando saí de casa, onde morava sozinho, e ganhei o mundo, achava que seria para sempre. A gente tem essa estranha mania de achar que tudo que fazemos é definitivo.

Eu saí, superei meu “homesick” e segui vivendo, sofri um tempo, chorei um tempo mas olhei para trás e notei que os problemas que estava vivendo não eram tao assustadores assim.

Então resolvi ficar e fiquei.Não era um ponto e sim uma vírgula, 2

Depois de um tempo senti falta do Sol, pois morava em um lugar frio e o inverno por lá tem poucas horas de luz do dia, amanhece por volta das 8 e as 4 da tarde o céu frio já está todo estrelado. De qualquer forma não deixa de ser um lugar apaixonante. 

Enfim, refleti um tempo sobre o que deveria fazer, afinal ali poderia ser um ponto final, não foi.

Mudei-me para Califórnia, não conhecia ninguém por lá mas o ser humano tem esse poder de adaptação quando é recebido com um sorriso generoso por alguém que nunca te viu antes. San Diego é uma das cidades mais lindas que já conheci e o por do Sol é sensacional, se era Sol que eu estava atrás eu estava no lugar certo e ponto final.

Mas…

Alguns meses depois eu estava de mochila na Asia, foram 4 meses andando, explorando, ensinando, aprendendo, conhecendo pessoas de todos os lugares, formando nova família.

Essa era para mim uma viagem muito especial e esperada, sempre quis visitar a Tailândia mas precisava acontecer na hora certa, de uma forma diferente e, por mais egoísta que possa parecer, sozinho.

90% das minhas viagens foram sozinho e essa precisava ser assim. Como será que eu iria me comportar com tantas diferenças, como eu iria sobreviver com a comida, com pessoas que falam muito pouco inglês, diferenças culturais, ansiedade de trabalhar como voluntário ensinando inglês para crianças perto do Camboja.

Pois foi lá, no sudeste asiático, que redescobri a simplicidade, que menos é mais, que pouco é suficiente, que ter muitas coisas as vezes enche o saco, pois não sabemos nem onde guardar e quanto mais coisas temos maior parece nossa âncora, nossa necessidade de ficar.

Um dia eu estava lá caminhando pelas ruas do Vietnã quando percebi como me sentia leve e feliz. Inesquecível. Ali parecia que eu poderia encontrar um ponto final pois meu coração gritou comigo.

– Fica aqui!!!!!

Recebi proposta de trabalho na Tailândia, possibilidade de ficar mais tempo no Laos e até no Vietnã mas eu precisava continuar andando, era uma vírgula, confesso que essa estava mais para um ;

Fui parar novamente em Lisboa, Portugal, para ficar, para sossegar, pois Portugal é um país lindo, custo de vida baixo, clima excelente e comida maravilhosa, ou seja, tudo para ficar. Passaram-se quase 3 meses e estava eu ali recalculando a rota, pois como diz uma grande amiga Letícia Mello, o plano é não ter plano, comecei a montar um projeto novo de voluntariado pela Índia, Tibet e Nepal.

Não era um ponto e sim uma vírgula, 3

Então uma nova vontade surgiu. Voltar ao Brasil, passei uma semana pensando sobre isso, meditei esperando uma resposta clara e ela veio na forma de sensação, quando repeti a frase que eu iria voltar a morar no Brasil senti um mix de alegria, pois é meu país e minha família que estou indo viver perto e, estranheza por estar voltando. Eu voltei ao Brasil durante esses 3 anos morando fora mas nenhuma delas era para viver, dessa vez é diferente, enfim, eu sempre assumo os riscos e vou assim mesmo.

Aqui, escrevendo isso pensei que poderia ser um ponto final.

Se bem que analisando nossas histórias trata-se de mais uma vírgula.

Acho que o ponto final virá acompanhado com uma placa “Aqui Jaz”.

Espero que tenha um emoji ao lado 🙂 feliz e ponto.

Perdido aos 40

Comentários

  1. bem vindo de volta meu amigo. Vai ser muito bom te-lo aqui novamente. 😄

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