Indochina 1

Indochina

Em P40 por perdidoaos402 Comentários

Alguns lugares são ótimos para ganhar dinheiro mas outros, ah outros…

Outros são ótimos para viver, ser feliz, sentir-se livre, voar, pedalar, andar e andar muito, pilotar scooter por todo canto, se jogar em milhares de cachoeiras, descer rios, escalar montanhas e relaxar em praias paradisíacas.

Tirando todo esses inúmeros motivos ainda tem um bônus, na verdade o melhor de tudo..pessoas!!!

img_0421

Milhares de sorrisos dos mais diferentes tipos todos com os olhinhos puxados.

Isso aqui tem muita gente, muita mesmo, quando se é ocidental no oriente é uma experiência unica como pegar um ônibus de linha dentro de Bangkok e todas as pessoas ficarem te olhando por você ser do oeste.

E estando no interior a experiência se intensifica, a cidade inteira te olha diferente, pessoas pedem para tirar fotos com você, sorrisos por todos os lados, convites para jantar na casa deles, dormir, tentar conversar.

Sawati kra, Sabadee, Chao mung… jeitos diferentes de ser recebido nos diferentes países.

Caí de amores pelo Laos quando cheguei pedalando em um rio em Vang Vieng e vi um monte de crianças correndo sobre uma ponte de madeira e se jogando no rio, era diversão pura.

img_8372

E no norte do Vietnã brincando de espadas de bamboo no topo de uma montanha com as netas de Mama Lili da comunidade H’mong onde fiquei hospedado 3 dias, durante a noite ela costurou umas pequenas bolsas, uma para dinheiro e outra para passaporte e me presenteou, enquanto costurava ela cantou uma música H’mong para mim, somente eu e Mama Lili na sala com chão de terra batida, o barulho lá fora era de grilos e pareciam que acompanhavam a melodia, é verdade, tem vídeo no Youtube.

Pegar um sleep bus descendo pelo Vietnã quase todo, do Norte até o Sul, fazer amigos locais, sair para jantar com eles num restaurante local onde você vira atração por ser o único “farang” (estrangeiro em tailandês). Fazer amigos de diversas partes do globo e ter a certeza de que existem muitas pessoas boas nesse mundo, amigos que você curiosamente acaba esbarrando em outras cidades mais adiante ou outros países ao redor.

Experimentar a comida local e engasgar com tanta pimenta. Descobrir locais que somente o povo local visita, ser convidado para tomar uns bons “drinks” no topo de um hotel 5 estrelas olhando a cidade a noite…

Tomar banho de chuva e mais banho de chuva e mais um pouco de chuva cantando todas as músicas brasileiras que falam de chuva que conseguia me lembrar.

img_8423

Entrar em cavernas nadando, se jogar no rio e por diversas vezes apenas relaxar num café com um sorriso gigante no rosto vendo todos te olhando e pensando “Por que ele sorri tanto?”.

Então visitar uma casinha no Laos onde você descobre que tem um monte de gente trabalhando para construir próteses para pessoas acidentadas com as minas terrestres e milhões de bombas ativas que continuam espalhadas pelo Laos, Camboja e Vietnã, assistir um curto filme onde um garotinho olha para câmera com um sorriso tão puro enquanto diz todo feliz que agora ele pode jogar futebol e você fica ali olhando ele sair correndo com 2 próteses chutando uma bola. Atravessar a rua correndo, sentar na calçada cansado e chorar tentando entender inúmeros “Por quês”.

Visitar um campo de extermínio no Camboja e ver o quanto o ser humano pode ser cruel e correr para um canto e mais uma vez chorar com mais um monte de “Por quês” na mente.

Sentir algo tão ruim por dentro, algo que não sentia há muito tempo olhando a foto do responsável pela desgraça de dezenas de milhares de pessoas “ódio, raiva, revolta”.

Nesse tempo que ainda não terminou eu vi o bem e eu vi o mal, lamentei as dezenas de vezes que segurei forte meu dinheiro e celular no bolso quando crianças se aproximavam de mim, quando estudantes se aproximavam querendo conversar para praticar o inglês, senti vergonha por sentir me assim, mas lembro que não é diferente no nosso país e não podemos ajudar a todos e isso eu lamento muito.

Ah Indochina, como te decifrar?

img_9684

Eu leio olhares, amo olhar nos olhos das pessoas, parece que consigo conhece-las melhor dessa forma, eu adoro gente e isso se ampliou por aqui.

Tailândia, Vietnã, Laos, Camboja e a conta continua.. a paixão aumenta, o coração pulsa forte e como disseram alguns amigos por aqui, a gente brilha com tantos sentimentos vindo a tona.

Isso é viver o hoje, pois eu acho tão injusto viver no ontem lamentando o que passou, o que se foi, o que se fez ou ficar sempre planejando um futuro traçando o caminho que nossas vidas “devem” seguir sendo que o presente é certo, é agora e esta totalmente aberto em nossas mãos mas o desprezamos totalmente.

Hoje me disseram que eu encontrei meu equilíbrio, eu ri, disse que meu equilíbrio é andar desequilibrado, estar em equilíbrio requer muito esforço para não pender para um dos lados, eu sinto-me livre para andar para qualquer lado que eu quiser, eu sinto-me acordado.

Isso a Indochina me ensinou e me ensina a cada dia mais, uma nova realidade e muita mas muita gratidão!

Perdido aos 40

Comentários

  1. Lindo texto André! Que sensibilidade e que coragem. Você é um ser iluminado, tenho certeza que a experiência dessa incrível jornada lhe proporcionará momentos inesquecíveis. Ansiosa para ler o livro com a história completa… será um best seller!!! Parabéns amigo!!! Saudades

    1. Author

      Obrigado Fe!!!
      Aprendizado para uma vida toda, com certeza…logo logo chega o livro falando de vida, do hoje e da felicidade.
      Beijãooo saudades!

Leave a Comment