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Em P40 por perdidoaos40Leave a Comment

Em Abril de 2014 eu parti de uma vida totalmente previsível rumo ao desconhecido, aos riscos e incertezas de uma vida nômade, os que me conhecem sabem que sempre fui inquieto e quando algo me incomoda eu mudo, eu ajo.

De lá para cá passaram-se 3 anos e 2 meses, nesse período voltei ao Brasil 3 vezes, sendo que uma delas foi para uma conexão de 4 dias rumo a Ásia. Não preciso contar aqui quantos países visitei, quantos morei, em quantos sofás eu vivi, apartamentos, quartos, números de telefone, que deixavam meus amigos irritados com tantas mudanças no WhatsApp, quantas comidas novas experimentei, se fosse contabilizar gostaria que fosse em quantas noites frias eu vivi, abaixo de zero, algumas de propósito para ter o gostinho de esquiar na neve pela primeira vez, também seria por quantos por de sol eu assisti em diferentes paisagens, da janela de casa as vezes ou da janelinha de um avião ou sentado na areia de uma das praias de San Diego e da Tailândia ou o nascer do Sol do topo de um vulcão em Bali, gostaria de contabilizar por quanta chuva fria tomei e algumas que tive o prazer de caminhar pelas ruas me refrescando, quantas cervejas diferentes experimentei, quantos sorrisos, quantos bom dia recebi em diferentes línguas, quantas músicas novas conheci, quantas cantei, mesmo sendo um desastre total no microfone e quantas dancei mesmo parecendo que estava tendo um ataque epilético ainda assim nunca deixei de dançar me achando bom de dança, rs, quantos ônibus viajei, trens, carros, aviões, tuk tuks, motos, bicicletas e quero contabilizar por quantos papos eu tive, quantas lições de vida eu recebi de presente e quantas pessoas eu conheci nesse tempo todo, não conseguiria dizer um número, são tantas, tantos rostos vão e vem de minha mente.

Estou aqui em Dublin e foi aqui que comecei essa jornada em Abril de 2014, perdido com o desconhecido, é tão bom estar aqui hoje e saber que fiz parte desse lugar por um tempo e, partir daqui foi uma decisão difícil também mas necessária, precisamos perder o medo de arriscar pois existe uma grande chance de encontrarmos um pote de ouro no final do arco-iris e nada, absolutamente nada substitui a nossa felicidade, quase todo mundo traça planos e, já que é assim, deveriam colocar a felicidade como o item número um no planejamento, se for fazer algo e não tiver felicidade envolvida não faça, eu sempre falo para não fazer planos pois a vida sabe o rumo certinho para onde nos levar mas sei que muita gente não entende isso, algumas pessoas interpretam o que eu digo como, viva como se não houvesse amanhã mas, o que quero dizer é bem diferente, é sobre ser surpreendido pela vida, é viver acreditando que haverá um amanhã mas não traçar planos para tudo que for fazer na vida pois assim ela pode acontecer e nos surpreender de verdade, não adianta sentar no sofá reclamando que está insatisfeito com isso ou aquilo é necessário ação, é necessário desligar a TV e mudar algo e acreditar e é necessário confiar que o melhor esta acontecendo agora.

Parto para o próximo destino, estar aqui é como o fechamento de um grande ciclo e, com toda certeza, o mais rico que já tive na vida, não consigo ter uma ponta de arrependimento de tudo que vivi, não tenho mais o apartamento, não tenho mais o carro zero e, sinceramente, não sinto falta alguma disso, são coisas, paredes e motor, sou grato pois me ajudaram a ganhar vida, felicidade, histórias para contar e provar para mim mesmo que tudo vale a pena, que sou parte de algo maior, que sou responsável 100% por tudo que me cerca, volto para casa com um sorriso tão grande que poderia engolir o mundo e o que será do amanhã, será maravilhoso pois estou vivendo para o hoje apenas e hoje o dia está lindo, não esta?

Perdido aos 40

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